
A casa, corpo, eterna morada é por demais onírica
Estou feliz por ter encontrado em meio a tanta bagunça
Lembranças... Aventurei-me pelo porão, desci de olhos fechados
Tateando o caminho. Na ponta de meus dedos ficou o contorno de cada passagem
Quantas narrativas. Só eu vejo meus olhos neste porão escuro
Não quero subir as escadas, deixem meu olhar aprisionado onde deixei
De dentro da casa pelo buraco da fechadura espio
Não me falem do mundo lá fora porque não quero entender
Dentro da casa se desloca tempos soprados pelo vento
As imagens são nítidas, tocáveis, sentidas, respiradas
Ninguém me tira da casa sonhada
Lá deitada em meu aconchegante ninho
Gozo de felicidade e deixo à fumaça brincar
Acima do telhado!
Clara santos
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